terça-feira, agosto 14, 2012

Crónicas na Primária!


O meu blog está de Parabéns! Seis anos... Como o tempo passa! E como a vida passa. E se desenrola em palavras durante tanto (e tão pouco) tempo...
A minha vida mudou, o mundo mudou, durante estes 6 anos. E estou feliz por ter este registo, por existirem estas "crónicas" para me ajudarem a lembrar momentos, pensamentos, vivencias, interrogações. Para me matarem saudades e voltar atrás no tempo sempre que preciso.
Criei este blog só com uma regra: sinceridade! Páginas brancas para uma pessoa transparente. Com titulos e sub-titulos, P.S.'s e entre-linhas! Criei este blog, há 6 anos porque:


"
Talvez porque precise que os amigos saibam o que sinto, os conhecidos saibam o que penso e os desconhecidos deixem de o ser! Talvez porque tenho necessidade que todos me vejam (e se vejam) nas minhas palavras. Porque quero que saibam o que me faz feliz e aquilo que me desagrada. Porque quero dizer como sou, onde estou, o que sou. Porque sou daquele tipo de pessoas que gosta de escrever o que sente e que manda uma mensagem após cada encontro e cada momento importante.
Só para dizer o que senti, o que sinto, o que me esqueci de dizer, ou nao tive coragem.
Porque sempre imaginei viver no tempo em que tudo se dizia numa carta. Em que cada pessoa sabia o que a outra queria dizer só pela maneira de escrever meia duzia de palavras. Em que coisas importantes nao eram discutidas numa troca de mensagens, e se dizia tudo numa folha de papel, sem esquecer o fundamental.
Sempre gostei de escrever aquilo que penso. Quero que os amigos digam "tinha a certeza que ela ia dizer isso" e que cada um saiba que estou a falar de si mesmo quando refiro coisas importantes para nós. Quero que todos possam ler-me em momentos de felicidade ou de desassossego, e possam identificar os proprios problemas, as próprias mudanças.
Por tudo isto (e por tantas outras coisas que irão aparecer) criei este blog. Para que possa gritar sem que ninguem me ouça ("gritos silenciosos" como diz aquele que me inspirou!).
Espero que gostem, que se iludam e desiludam, que sorriam ou chorem, que se inspirem ou percam a imaginação. E sonhem, viagem, saiam daqui. E vivam, vivam!
São agora "Crónicas de uma vida por viver", mas só porque nao me chega aquilo que ja vivi, e quero mais! :)
"

E as razoes são as mesmas. Continuo por outros tantos anos, porque tenho as mesmas necessidades. E estou bem contente com o que fiz até hoje!
Vou continuar porque gosto dos feedbacks, porque tu que me lês te identificas e sorris, mas, principalmente, porque me sinto bem!

Obrigada!

quarta-feira, agosto 08, 2012

2,7

   Naquela noite de Sábado, os meus olhos viram... Viram o que sabiam existir, mas comprovaram! 
     É uma grande verdade essa coisa do "o que os olhos não vêm, o coração não sente"!
      Os olhos viram, e o coração sentiu. E ficou magoado. Não magoado de Amor, mas de respeito! 
          É possível isso?
         Foi como se o único compromisso que existia entre nós, que era um compromisso de respeito, fosse quebrado. Assim em poucos minutos, numa sucessão de gestos e cumplicidades. 
            Durante dois anos e sete meses houve tanto e tão pouco entre nós. Numa relação que quase nada exigia, porque havia respeito, harmonia, cumplicidade. E mais nada devíamos um ao outro.
               Mas, sem saber explicar muito bem porquê, o meu mundo abanou. Parece que perdi um porto seguro. Um porto ao qual não tenho vontade de voltar.
                    Os meus olhos não vão olhar-te mais da mesma forma...


segunda-feira, junho 11, 2012

num click

Queria falar contigo. E era tão fácil. Estavas à distância de um click. Era só tocar naquele quadradinho que aparece no canto do meu ecran. Era só tocar-lhe e escrever. Podia dizer tudo o que me apetece dizer-te. Podia escrever só: "olá". E tu ias ver. Porque ia saltar uma janela no teu ecran. O que é que estivesses a fazer, ias saber que alguém te queria falar. Ias ler. Mas não ias responder. Se calhar lias e fechavas a janela de imediato. Suspiravas de desprezo ou de tristeza. Mas fechavas a janela sem responder. E o meu coração ia apertar mais um bocadinho. Talvez o teu também aperte. Mas les-me sem escrever nada de volta.
Queria falar contigo. Há uma hora que estou a olhar para este quadradinho no canto do meu ecran. Estou a tentar equilibrar a emoção e a razão. Não quero um nada, mas e se... E olho para ti com uma vontade enorme de te ver. É o que resta quando ganha a razão. E o coração perdeu, hoje, mais um click, com medo de ficar apertadinho.
Queria falar contigo. E era tão fácil.


sábado, junho 09, 2012

Dinner with friends.

É um conforto que preenche o coração. Uma espécie de aconchego para a alma. Reencontrei-vos e não vos vou largar de novo!
Quero jantares maravilhosos. Quero receber-vos. Quero lembrar. Quero relembrar. Quero puxar memórias. Quero criar momentos novos. Quero viver de novo. Quero tudo novo.
Quero surpresas, surpresas assim . 
Porque é fácil. Porque afinal, apesar de todas as mudanças, o destino nos juntou, de novo, neste lugar de antes. E deve haver boas razões para isso. E há boas razões para isso. Somos nós, nós em cada um de nós.
Obrigada por ser possível.
Obrigada pelos sorrisos e pela cumplicidade.
Obrigada pelos olhares de anos.



Há palavras para o que aconteceu?

quarta-feira, maio 09, 2012

Misturei a esperança.

    Estava no Martim Moniz na ultima vez que te ouvi. Era a primeira vez que estava ali. E olha que morei em Lisboa quase 6 anos! Mas nunca tinha lá ido, não como fui daquela vez.
E tu ligaste-me enquanto eu procurava cremes para o cabelo, com a Marta. 
   " - São maneiras de falar? Essas com sotaque açoreano?" Perguntaste com o teu tom tripeiro que não te deixou mesmo depois de ires embora.
   Estava feliz, com o meu sotaque açoreano, misturado com o tripeiro que não me deixa, principalmente aqui no meio do Martim Moniz, onde as culturas se misturam tanto.
    Ali estava eu, num teu momento de proximidade. 
   
    Não te ouvi mais desde então. Também perdi o meu sotaque açoreano. Já nada se mistura num telefonema.

      E hoje voltei ao Martim Moniz. Talvez na esperança que o telefone tocasse. E eu pudesse ouvir-te de novo, num orgulhoso tripeiro, nas promessas não cumpridas.

quarta-feira, abril 18, 2012

Recordando o futuro...

"Quando estou contigo, volto a ter 14 anos!"
Foi o que disseste da última vez que nos vimos. Já não disseste nada disso desta vez. Porque agora éramos dois adultos que se encontraram para falar. Quase não matámos saudades, quase não lembrámos o passado. Falámos do que somos, do que fomos durante estes anos, do que queremos ser, e fazer, e realizar.
Estamos diferentes. Claro que estamos diferentes. Já aprendemos tanto, já vivemos tanto, que seria impossível não estarmos diferentes. Surpreendemos agora. Belas surpresas. Mas gosto que estejas na mesma. Gosto de te conseguir identificar em tantos pormenores tão teus! Tenho um orgulho imenso nas diferenças, e naquele que és hoje.
Tivemos um fim de semana curto, mas bom. Onde até o silêncio fez sentido.
É fácil partilhar com alguém que conhece o nosso fundo, alguém que faz parte da nossa base, alguém que nos formou. Numa altura em que o futuro estava longe, e os sonhos nem tinham realidade.
Hoje, sabemos que aprendemos muito enquanto estávamos juntos, mas queremos saber tudo o que aprendemos enquanto estivemos separados. Hoje, gosto de conseguir confiar, de falar com sinceridade, como se o tempo não tivesse passado.



E hoje, vivi 24 horas contigo. Foi simples, foi bom. Obrigada! 
Obrigada por ser quem sempre foste. Obrigada por todos os pormenores! Obrigada pelas surpresas! Obrigada por ter sido fácil recordar o futuro.
Boa Noite :D

quarta-feira, março 14, 2012

Keep

O dia ia ser bom! Tinha tudo para ser bom. E foi!
Começou perfeito, com o sol a entrar pela janela, e um sorriso, e um beijo fresco. Tudo começou na perfeição... E vi o mar a bater nas rochas, num fresco incrível, numa pureza maravilhosa.
Sabia que ia ser perfeito! Sabia que tinha tudo para ser perfeito. E foi!
Porque aquelas primeiras horas da manhã traziam uma energia grande, imensa! 
Porque disse "Bom dia Alegria!" mal abri os olhos, mal cheguei a casa. E tive um sorriso como resposta, e tive um resposta, uma verdadeira resposta!
Tudo fluiu, num nervoso miudinho, numa ansiedade tão, tão feliz!
Horas boas, perfeitas! Horas que quero assimilar, e reter na minha memória sempre, para sempre.
Momentos que só apetecem absorver, sugar tudo, e guardar. 
E vou guardar os abraços matinais. O olhar de final de tarde. 
Guardar, guardar, guardar. Para não esquecer como tudo pode ser perfeito! Para lembrar como é fácil repetir dias assim.

Gosto disto que temos! Gosto de ti! Gosto de ainda gostar de ti!

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

3160

Faço 3160 km em viagens, por mês!
São, mais ou menos, 26h sentada no carro ou no comboio.

Três mil, cento e sessenta quilómetros para pensar...

Entrar no comboio, e pensar de costas, à janela. Entrar no carro, e pensar, de mãos no volante.

Quantas vezes me acontece chegar ao destino, depois de um trajecto já mecanizado, e pensar: "Ah! Já cheguei! Como e que já cheguei?!" Porque o meu pensamento estava absorto, alheio da estrada. A atenção estava nas curvas, mas o pensamento estava na vida.
Penso em mim, na minha agenda, nos meus pacientes, nos meus amigos, na minha familia, nos meus problemas e nos problemas dos outros. Vou resolvendo os meus horarios e planeando os proximos destinos. Vou resolvendo diagnosticos e planeando tratamentos. Vou resolvendo conflitos e planeando reconciliações, comigo mesma, com os outros.

Vinte e seis horas, por mês, a pensar...


E quando penso em tanto pensamento, lembro sempre um amigo que disse: "Com tantas viagens, ou ficas maluca ou tornas-te uma grande pensadora!" Continuo muito inclinada para a segunda hipótese! Não serei uma grande pensadora pronta a encontrar a solução para os problemas no mundo e da humanidade, mas tento sempre, em 3160km, encontrar o rumo, a solução para o meu mundo. E sonho, sonho muito!
Serei então uma grande pensadora, uma grande sonhadora.

Três mil, cento e sessenta quilómetros!
Quase que vou e venho ao Faial, no mesmo mês.
Ainda me sobram quilómetros se quiser ir a Nice, uma vez por mês.

Para o Brasil ainda faltam... Preciso de uns 2 meses!

Sorte que o pensamento percorre todos esses sítios, sem contabilizar quilómetros!

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Tempestade

E de repente começou uma tempestade! Em pleno alto-mar...
O barco, construído ao longo de 25 anos, parecia robusto. Mas não foi o que aparentava, não fui suficientemente para aguentar esta tempestade. Não esta, cheia de vento, chuva, trovões, e ondas muito altas...
Abanou, abanou... Alterou momentos de estabilidade com aqueles em que foi metendo água. 
Mas tudo à volta estava revolto. O mar sereno e infinito estava transformado numa autentica panela com água a ferver!
E o barco não aguentou, e virou. Deitou à água a sua mais fiel passageira. E naufraguei...

Claro que eu sabia nadar. Claro que nunca tive problema algum com a água. Mas nunca ninguém me ensinou a nadar contra todas as marés, a ser mais forte que todas as águas, e superior a todas as ondas.

E perdi forças! Assim como o meu barco, alternei a esperança com a desistência, a coragem com o medo.

A tempestade acalmava de tempos a tempos. E o Sol brilhava, e eu sorria. Mas de repente, estava sozinha de novo... E a chuva recomeçava, e eu voltava a gastar todas as forças!



Um dia, depois de muitos dias, o Céu abriu de uma maneira diferente. Senti uma mão a puxar-me, a segurar-me. O sítio para onde me levou não é terra firme, não é "casa". Mas aqui já não há ondas gigantes, e os ventos são mais fracos. Ainda chove, chove daquela água que limpa... O Céu não está azul, mas as nuvens são mais claras.

A partir daqui volto a construir o barco. Reforço tudo o que ficou partido, e torno-o mais forte, para as próximas tempestades. 
Um dia volto a po-lo no mar. Ganho força e o mar volta a ser calmo e infinito.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Amo-te


Há muito tempo que quero dizer "Amo-te". Com uma sensação forte, sem saber bem porque, ou a quem... E hoje, li: "Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho!" - Pelos vistos é uma frase descritiva do meu signo!

E quando quero dizer Amo-te, lembro muito de ti.


Amo-te...

Amo-te por teres comigo esta amizade que nao sei explicar.

Amo-te por me amares sem saber.

Amo-te por cuidares de mim so com um olhar, com um abraço.

Amo-te por não precisar de dizer nada, e por me ouvires quando digo tudo.

Amo-te pelo apoio que dás, sem apoiar.

Amo-te pelo passado, pelo tempo que passámos na vida um do outro.

Amo-te pelo presente, pelo tempo que conseguimos conciliar.

Amo-te pela ausencia e pelos reencontros.

Amo-te pelos Reveilons, festas de aniversário, e tantas outras festas a que não assistimos.

Amo-te pelos jantares e licores Beirão.

Amo-te pela minha cama, o nosso hotel, e os nossos jardins do Palacio.

Amo-te por aquilo que sou quando te olho, quando te sinto, quando te estranho.

Amo-te por te conhecer sem fazer perguntas.

Amo-te por leres os meus pensamentos.

Amo-te por ter a certeza do que sentimos quando estamos tão longe e tão perto.

Amo-te pela proximidade e pela saudade.

Amo-te por ser eu propria, mesmo quando não pareço.

Amo-te por me amar quando estamos juntos.

Amo-te por esta sensação de incerteza e prazer.

Amo-te pelo teu calor e pela tua frieza.

Amo-te por não saber se é Amor isto que sinto.


Amo-te por nao conseguir dizer que te Amo.