sexta-feira, fevereiro 24, 2012

3160

Faço 3160 km em viagens, por mês!
São, mais ou menos, 26h sentada no carro ou no comboio.

Três mil, cento e sessenta quilómetros para pensar...

Entrar no comboio, e pensar de costas, à janela. Entrar no carro, e pensar, de mãos no volante.

Quantas vezes me acontece chegar ao destino, depois de um trajecto já mecanizado, e pensar: "Ah! Já cheguei! Como e que já cheguei?!" Porque o meu pensamento estava absorto, alheio da estrada. A atenção estava nas curvas, mas o pensamento estava na vida.
Penso em mim, na minha agenda, nos meus pacientes, nos meus amigos, na minha familia, nos meus problemas e nos problemas dos outros. Vou resolvendo os meus horarios e planeando os proximos destinos. Vou resolvendo diagnosticos e planeando tratamentos. Vou resolvendo conflitos e planeando reconciliações, comigo mesma, com os outros.

Vinte e seis horas, por mês, a pensar...


E quando penso em tanto pensamento, lembro sempre um amigo que disse: "Com tantas viagens, ou ficas maluca ou tornas-te uma grande pensadora!" Continuo muito inclinada para a segunda hipótese! Não serei uma grande pensadora pronta a encontrar a solução para os problemas no mundo e da humanidade, mas tento sempre, em 3160km, encontrar o rumo, a solução para o meu mundo. E sonho, sonho muito!
Serei então uma grande pensadora, uma grande sonhadora.

Três mil, cento e sessenta quilómetros!
Quase que vou e venho ao Faial, no mesmo mês.
Ainda me sobram quilómetros se quiser ir a Nice, uma vez por mês.

Para o Brasil ainda faltam... Preciso de uns 2 meses!

Sorte que o pensamento percorre todos esses sítios, sem contabilizar quilómetros!

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Tempestade

E de repente começou uma tempestade! Em pleno alto-mar...
O barco, construído ao longo de 25 anos, parecia robusto. Mas não foi o que aparentava, não fui suficientemente para aguentar esta tempestade. Não esta, cheia de vento, chuva, trovões, e ondas muito altas...
Abanou, abanou... Alterou momentos de estabilidade com aqueles em que foi metendo água. 
Mas tudo à volta estava revolto. O mar sereno e infinito estava transformado numa autentica panela com água a ferver!
E o barco não aguentou, e virou. Deitou à água a sua mais fiel passageira. E naufraguei...

Claro que eu sabia nadar. Claro que nunca tive problema algum com a água. Mas nunca ninguém me ensinou a nadar contra todas as marés, a ser mais forte que todas as águas, e superior a todas as ondas.

E perdi forças! Assim como o meu barco, alternei a esperança com a desistência, a coragem com o medo.

A tempestade acalmava de tempos a tempos. E o Sol brilhava, e eu sorria. Mas de repente, estava sozinha de novo... E a chuva recomeçava, e eu voltava a gastar todas as forças!



Um dia, depois de muitos dias, o Céu abriu de uma maneira diferente. Senti uma mão a puxar-me, a segurar-me. O sítio para onde me levou não é terra firme, não é "casa". Mas aqui já não há ondas gigantes, e os ventos são mais fracos. Ainda chove, chove daquela água que limpa... O Céu não está azul, mas as nuvens são mais claras.

A partir daqui volto a construir o barco. Reforço tudo o que ficou partido, e torno-o mais forte, para as próximas tempestades. 
Um dia volto a po-lo no mar. Ganho força e o mar volta a ser calmo e infinito.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Amo-te


Há muito tempo que quero dizer "Amo-te". Com uma sensação forte, sem saber bem porque, ou a quem... E hoje, li: "Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho!" - Pelos vistos é uma frase descritiva do meu signo!

E quando quero dizer Amo-te, lembro muito de ti.


Amo-te...

Amo-te por teres comigo esta amizade que nao sei explicar.

Amo-te por me amares sem saber.

Amo-te por cuidares de mim so com um olhar, com um abraço.

Amo-te por não precisar de dizer nada, e por me ouvires quando digo tudo.

Amo-te pelo apoio que dás, sem apoiar.

Amo-te pelo passado, pelo tempo que passámos na vida um do outro.

Amo-te pelo presente, pelo tempo que conseguimos conciliar.

Amo-te pela ausencia e pelos reencontros.

Amo-te pelos Reveilons, festas de aniversário, e tantas outras festas a que não assistimos.

Amo-te pelos jantares e licores Beirão.

Amo-te pela minha cama, o nosso hotel, e os nossos jardins do Palacio.

Amo-te por aquilo que sou quando te olho, quando te sinto, quando te estranho.

Amo-te por te conhecer sem fazer perguntas.

Amo-te por leres os meus pensamentos.

Amo-te por ter a certeza do que sentimos quando estamos tão longe e tão perto.

Amo-te pela proximidade e pela saudade.

Amo-te por ser eu propria, mesmo quando não pareço.

Amo-te por me amar quando estamos juntos.

Amo-te por esta sensação de incerteza e prazer.

Amo-te pelo teu calor e pela tua frieza.

Amo-te por não saber se é Amor isto que sinto.


Amo-te por nao conseguir dizer que te Amo.


terça-feira, dezembro 13, 2011

A minha casa é longe!


É aqui que me sinto bem. É esta a minha casa. São estas pessoas a minha família.
Não quero sair daqui. Não quero...

Porque não tenho vontade de voltar àquilo em que a minha vida se tornou. Aqui sou eu, aquela que sempre fui. Aqui rio, aqui dou gargalhadas. Aqui olho para todos, por igual, sem ressentimentos, sem desilusões. Aqui esqueço os problemas, enquanto tratam de mim, com carinho e amizade.

Para quê voltar? Para ter de enfrentar os estilhaços do mundo que desmoronou? E lidar com a tristeza e a revolta... Porque, sim, o mundo mudou. O meu mundo virou do avesso e não há meio de se pôr do direito... Que fim do mundo! Que problemas estes que nunca acabam, que criam outros problemas, novos, e eu não sei lidar com eles.
E se eu ficar aqui? Aqui onde vivo em paz... Aqui onde me cuidam... Aqui onde fico feliz!
E se eu quiser que a minha vida mude, de novo, para aqui? Assim só para fingir que os problemas se resolveram sozinhos e desapareceram. Assim só para fugir, e viver a minha vida à minha maneira, na minha casa, nesta família pendurada na parede da sala.



"
- Não devias ir embora... Quando voltas?
- Não sei... Se calhar já na sexta!
- Vá, volta!
"

E eu não queria ir embora, não daqui! Não de vocês! Porque é muito fácil voltar a habituar-me a esta vida, agora a quatro, de couchsurfing...
Mas amanha vou embora... Quero regressar em breve, muito em breve! Para voltar a ser feliz...

Obrigada por cuidarem de mim! Por fazerem com que não tenha vontade de regressar à minha vida de hoje!

terça-feira, novembro 08, 2011

Teu


Foste o primeiro a quem pedi auxílio! No meio da noite, quase de madrugada, há duas semanas atrás...
Durante estes dias já recebi palavras, beijos, e abraços virtuais. Já recebi carinho enviado desta maneira tão moderna, e tão pouco aconchegante...
Faz-me falta o teu abraço, o calor dos teus braços.
Faz-me falta o aperto de que preciso tanto, para me sentir segura.
Faz-me falta a esperança que me dás ao ouvido: "Vai passar. Vai tudo ficar bem!" E só depois do teu abraço é que vou acreditar nisso!
Só depois de ter absorvido a tua força, o teu carinho...
Faz-me falta... Preciso disso agora!

terça-feira, outubro 18, 2011

De ti

Chegaste sem dizer olá.
Foste embora sem dizer adeus.
Chegaste, viveste, foste embora... e eu nem te vi, nem te ouvi.
Regressaste de passagem, mas o lugar não foi o meu. Muito perto do meu, mas não o meu.
Foi por egoísmo? Foi por cobardia? Foi por medo? Não percebo porque foi. Não entendo porque mantiveste longe quando o espaço era tão curto.
Sabes? Preferia que nunca tivesses existido. Preferia que esta nossa existência passada, tão curta, nunca tivesse acontecido. Preferia nunca ter cruzado a minha vida com a tua. Preferia que nunca nos tivéssemos junto, para que nunca nos tivéssemos separado.
mas afinal foste sempre tu quem decidiu tudo sobre a nossa existência. Afinal foste tu, por qualquer obra de Deus, ou do Destino, que te puseste na minha vida Com uma pergunta tão simples e inocente, que nunca ninguém adivinharia ser tão poderosa. Nada ficou na mesma, nada marcou tanto, nada foi tão "ponto de viragem".
Afinal foste tu que decidiste por fim a qualquer troca de palavras, a qualquer futuro.

Afinal foste sempre tu que tomaste a iniciativa, para o bem e para o mal.
E eu, se calhar, preferia nunca ter tido o bem, porque o mal não está a compensar. Se calhar preferia nunca ter respondido a pergunta nenhuma. Mas também, talvez, não fosse o que sou. Talvez tenha sido mesmo preciso todo o bem, e o mal, para aprender, para crescer. "Vivendo e aprendendo", não é?
Ainda assim, acho que não tinhas esse direito, o da decisão!

Não desejo voltar atrás. Não desejo não viver o que vivi. Não gosto de me massacrar com o "se soubesse o que sei hoje". Mas tem sido inevitável não pensar nisso quando o peito queima de incertezas e raiva. É inevitável não pensar nisso quando me lembro de ti. De ti sem um olá. De ti sem um adeus.
Tu, assim, não fazes falta nenhuma. Tu, assim, és fácil de eliminar. Mas como elimino, ao mesmo tempo, o outro? Aquele que faz falta...

quinta-feira, setembro 29, 2011

Silêncio


Não percebo o silêncio.
Porquê o silêncio quando há tanto para dizer?
Para quê o silêncio?

Só consigo admitir aquele silêncio que sabe bem... Aquele que aparece quando já há telepatia, quando já estamos lado a lado e não precisamos quebrar o silêncio para que muita coisa seja dita.

Mas não entendo o silêncio quando se está longe.
Não há telepatia à distância. Não há conforto no silêncio de quilómetros.
Porque não existe o olhar, o toque, ou o sorriso. Só o silêncio, pesado, duro.

Gosto de falar. Gosto de ouvir.
Não gosto do silêncio quando sei que há tanto para dizer...

Não percebo o silêncio.
Nem o silêncio da ausência de resposta, nem o silêncio da distância.

Não entendo o silêncio entre duas pessoas. Prefiro as palavras, e a telepatia próxima.

Ilusão em fuga...


Se calhar criei uma ilusão. Se calhar tu já não és quem um dia foste. Ou se calhar nem nunca foste, e tudo não passou de uma ilusão.
Se calhar procurei durante tanto tempo alguém que já não é o mesmo. Nove anos... Nove anos estive longe e tentei encontrar em muitos este ilusão perdida.
Se calhar não o vou encontrar nunca mais, aquele que tive, aquele que julgo não ter mudado.

Persegui uma ilusão. Persegui quem me faz falta. Persegui tudo. Continuo à procura, na verdade... À procura de uma ilusão, daquilo que foste.

E tenho medo. Medo de nunca mais te encontrar. Tenho medo de ter perdido a ilusão e a esperança.
Tenho medo da saudade, deste aperto no coração. Medo da desilusão, do esgotamento.
Tenho medo de ti, de não seres, de seres tu que eu não conheço. Medo de mim, da eterna perseguição, de ser esta que não conheces.

Não gosto deste sentimento que, realmente, so poderia sentir por ti. Não gosto da fuga, muito menos da perseguição...

Preciso da tua amizade, do teu carinho. Preciso, preciso de ti, girassol...

Ainda tens? Ainda estás ai? Ou sonhei? Ou afinal suspiro por uma ilusão? Não posso acreditar nisso!

sábado, setembro 10, 2011

Reencontro


Já são 4 da manhã e eu devia era estar a dormir, descansada, com um sorriso nos lábios. Mas tinha de escrever, tinha de marcar este momento.
Nas ultimas 3 horas vivi um reencontro maravilhoso. Quem sabe o que é rever um amigo depois de alguns anos longe? Não um amigo qualquer. Um amigo que foi criado connosco, que cresceu diariamente ao nosso lado, ao mesmo tempo, que viveu (praticamente) a nossa mesma vida.

Já por duas vezes escrevi sobre ti, já por duas vezes nos inclui no nosso "Trio". E hoje, podia voltar a escrever tudo de novo.
Como é maravilhoso este carinho que se instala entre nós. Esta amizade que, apesar de já não viver diariamente, é ainda tão cúmplice.
"Estar aqui ao pé de ti faz-me sentir puto de novo!"
E quase parece que o tempo parou e afinal estamos ainda com 14 anos. Mas, hoje, não revivemos muito, não houve tempo para grandes nostalgias. Hoje, quisemos saber de nós, numa ânsia de perceber se estamos bem. Num desejo de querer saber que rumo tomamos.
Como posso descrever a paz que o homem em que te tornaste, me transmitiu nestas horas? Como te posso explicar que tenho a certeza que vais ser feliz? Que tenho um orgulho enorme em ti...


Foram 3 horas que souberam a pouco, a muito pouco. Não deu ainda para por em dia tanto de nós que falta contar. Tantos pormenores da nossa vida de agora...

Não vou deixar que passe tanto tempo. Não quero que passe tanto tempo.

Obrigada a ti, porque me fazes voltar a mim, nestes reencontros.
Estou feliz por estas horas.
Até breve!


sexta-feira, setembro 02, 2011

Preciso falar contigo...


Porque é que tanta gente precisa de falar comigo nos últimos tempos?
Porque é que todos me dizem "Preciso falar contigo" ?
E se eu nao quiser? E se eu tiver medo de ouvir o que tens para me dizer? E se o meu medo for completamente ridículo?
O que tens para me dizer? Ultimamente não gosto do que ouço... E tenho medo!
Porque é que tu, e tu, e tu, e tu, precisam tanto de me falar? O que tanta gente tem para me dizer?
Sao novidades boas para mim? Sao noticias boas para nós? Sao coisas que realmente me vão interessar? Para quê tanta urgência?
Se fosse urgente, preocupante, dizias logo. Não perdias tempo a dizer que precisas falar comigo. Falavas! Falavas logo, e pronto!
E quando falares finalmente? Vou ficar feliz?

Queria tanto que menos gente precisasse de falar comigo... Queria tanto que mais gente falasse!


E tu, acabaste por leva por tabela, sem culpa! Mas porque foi o "preciso de falar contigo" que faltava para fazer transbordar o copo já cheio...